Quinze fotografias em edição numerada e assinada, acompanhadas de certificado de autenticidade. Cada obra é impressa em papel algodão sob encomenda, e sai de catálogo quando a edição se fecha.
Escolhidas não pelo que ganhou prêmio, mas pelo que se quer ver na parede todos os dias.
O que me prende na onça não é a força — é o silêncio dela. Estes três retratos são o mundo interior do predador do topo: a melancolia de quem reina sozinho, a passagem que não faz ruído, a brasa que arde por dentro sem precisar se mostrar. Uma onça não precisa rugir para ser a dona do lugar. É esse poder quieto que eu quis guardar na parede.
No Pantanal, uma árvore sozinha no meio do nada vira personagem. Ela marca um território, oferece abrigo, e às vezes é simplesmente a escolhida — a que a luz encontra, a que o bicho procura, a que fica na memória. Aqui, a árvore é a protagonista, não o cenário: uma presença firme e paciente, de pé muito antes de eu chegar e muito depois de eu partir.
Os aguapés são o detalhe que todo mundo vê no Pantanal e ninguém valoriza. Para o pescador e o barqueiro, são enrosco. Para o turista, são "mato". Para mim, são uma beleza que fica à margem de todo o resto — e é justamente por ficar à margem que eu quis trazê-los para o centro. Este trio é um convite a olhar de novo para o que você já viu mil vezes e nunca reparou. A beleza estava ali o tempo todo, esperando quem olhasse.
A Patagônia me ensinou o tamanho que eu tenho. Lá a natureza não pede licença: a parede de pedra, o vento que chama, a borda do mundo onde a terra simplesmente acaba. Fotografar ali é aceitar ser pequeno — e achar isso bonito. Estes três são sobre grandeza: o sublime que lembra você do seu lugar. É o tipo de imagem que faz silêncio numa sala.
Minhas aves não são sobre aves. São sobre quietude. Cada uma destas três é um estado de espírito — o amor que dura, a trindade de um instante, a contemplação. Eu as fotografo quando o mundo está em silêncio, e é esse silêncio que fica na imagem: o pensamento íntimo, a paz de dentro. São para quem quer uma parede que acalma, não que grita.